28, November de 2025

O Auditório do Centro Universitário Evangélico de Goianésia (UNIEGO) recebeu, na noite de 19 de novembro, o “Simpósio Vida e Resistência – Consciência Negra”, um evento de reflexão e pertencimento promovido pela instituição. A programação reuniu estudantes, docentes, pesquisadores e representantes de movimentos sociais em torno do tema “A luta contra o racismo estrutural, a valorização da cultura afro-brasileira e os desafios atuais da população negra”.

A mesa de palestras contou com a participação da ativista Alessandra Soares Ramos, da coletiva Pretas de Angola, e do pesquisador Juami Antonio de Aquino, doutorando em Educação pela Universidade Federal de Goiás (UFG). O objetivo do simpósio foi articular memória histórica, educação antirracista e debates contemporâneos sobre desigualdade racial no país.

Alessandra destacou a relevância simbólica e política do 20 de novembro, celebrado como Dia da Consciência Negra. Em sua fala, reforçou que a data não se limita à homenagem, mas representa o reconhecimento da história de um povo que ainda luta para existir plenamente. “É importantíssimo falar da história do povo negro no Brasil e valorizar quem construiu esse país como nação”, afirmou a ativista, lembrando que tanto negros quanto indígenas foram pilares formadores do Brasil.

A palestrante também sublinhou o papel da educação nesse processo. Para ela, a escola e a universidade devem ser canais de transformação social, capazes de transmitir conhecimento, mas também valores. No evento, Alessandra falou sobre identidade, resgate cultural e reparação histórica, temas que são “essenciais para que o racismo estrutural acabe”, segundo ela.

Juami conduziu sua apresentação a partir de uma perspectiva interdisciplinar, mesclando vivências pessoais, trajetória acadêmica e sua atuação em orçamento público e direitos humanos durante o período em que integrou o Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc).

O pesquisador, mestre em Sustentabilidade junto a Povos e Territórios Tradicionais pela Universidade de Brasília (UnB) e licenciado em Matemática pela Universidade Federal do Tocantins (UFT), enfatizou que espaços como o simpósio ajudam a romper silenciamentos institucionais e fortalecer debates permanentes. “Abrir esse espaço já é uma forma de contribuição”, destacou.

E completou: “Estamos aqui para refletir sobre vida e resistência, porque o desafio nunca parou”, disse, apontando que a pauta antirracista precisa atravessar todo o calendário acadêmico, e não apenas datas comemorativas”.

O pesquisador também citou a importância das leis 10.639/2003 e 11.645/2008, que tornam obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena nas escolas. Para Juami, o simpósio demonstrou que a valorização dessas legislações deve ir além das “vésperas do 20 de novembro”, incentivando docentes a trabalharem o tema de maneira transversal e contínua. Ao direcionar parte de sua fala aos estudantes, ele reforçou que a conscientização coletiva depende da partilha de experiências e saberes. “Quando a gente dialoga, a gente conscientiza, a gente reflete e compreende um pouco mais desse dia que representa vida e resistência”, pontuou.

O simpósio integrou a agenda da Semana da Consciência Negra do UNIEGO e reafirmou o compromisso da universidade em promover encontros que conectem pesquisa, comunidade e ação social. O evento encerrou com um chamado à continuidade das discussões dentro e fora da instituição, reforçando que a luta antirracista é um compromisso diário.